Menos feminina, menos mulher, será?

Neste dia 18 de outubro de 2017 completo exatos dois meses do big chop, ou no bom português, do Grande Corte, o momento que você tira toda a química do cabelo com o auxílio de uma tesoura.

No post “Acabou a luta com as duas texturas, mas quem disse que a Transição Capilar terminou?” falei do antes, durante e um pouco do depois desta decisão, e para quem achou que depois de 60 dias o meu cabelo curto já não traria novidades…preciso dizer que você está totalmente enganada ou enganado.

Ainda, ainda hoje, percebo que o meu cabelo curto atrai olhares e comentários, e na maioria das vezes as pessoas tentam me consolar, como se o cabelo curto tivesse sido colocado para mim como uma obrigação, como se a cabelo curto fosse um peso ou um castigo…

Já escutei diversas vezes as frases: “Logo vai crescer”, “Mas a parte de trás é lisa”, “Não fica assim, você continua linda”, “Tinha mesmo que cortar curto assim?”, “É…se você gostou”, e coisas do tipo.

De todas essas, a última conversa que teve o meu corte como tema principal, me fez perceber ainda mais o quanto muitas mulheres se prendem ao fato de que o sinônimo de feminilidade é aquele cabelão de comercial de xampu. Como um jeito de me consolar, a pessoa relatou que uma conhecida dela estava com um comprimento de cabelo igual ao meu, no entanto, comprou dezenas de laços, diademas, fitas, faixas, presilhas e outros acessórios para usar nesta etapa da transição.

Escutando o relato, olhei para o meu reflexo em um vidro e pensei comigo: “Eu não preciso desses acessórios para me sentir feminina. Na verdade, eu não preciso de acessórios para gostar do meu cabelo do jeito que ele é, e isso é uma grande vitória”, e voltei para a conversa imaginando como deve ser triste se olhar no espelho e não gostar do que está alí. Como deve ser difícil deixar que a opinião dos outros interfira de tal forma na sua vida.  

Nestes 60 dias, nunca pensei em usar nada para me enfeitar, e só me dei conta disso depois desta conversa. Quando ainda tinha o cabelo 100% natural, ou quando fazia alongamento, eu era dependente de elásticos, tic-tacs, presilhas…e qualquer outro utensílio que me ajudasse a esconder aquele volume e aquele cabelo que eu diariamente demonstrava não gostar. Usar esse tipo de coisa não era uma opção, era uma necessidade, era uma prisão.

Sobre o fato de que “mulher que é mulher tem cabelão”, acho que a luta contra esse pensamento ainda vai ser longa. Noto que algumas mulheres e homens olham para o meu marido sem entender como ele gosta ou deixa a esposa dele fazer uma loucura assim, e discretamente, por essas pessoas, recebo cobranças para ser ainda mais feminina, ainda mais delicada e ainda mais mulherzinha.

eu

Se para mim, o crescimento do meu cabelo é mais um dia de descobertas, para os outros é menos um dia que essa moça, que era tão vaidosa, fica assim, desse jeito.

Não sabia que um cabelo curto poderia causar tanto desconforto e aflição nos outros, e ainda bem que é nos outros, pois eu, euzinha, estou muito bem, obrigada!

por, Dani Rabelo

 

 

 

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