Acabou a luta com as duas texturas, mas quem disse que a Transição Capilar terminou?

Tudo começou em uma manhã fria e chuvosa, quando depois de um demorado banho, depois de tomar um café da manhã simples, porém saboroso, me vestir e começar o processo de arrumação dos cabelos…

Pronto! Aquele processo de arrumar os cabelos já estava tirando a minha paciência, e o trecho de uma das músicas de Chico Buarque me representava tanto: “todo dia ela faz tudo sempre igual”.

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As duas texturas já estavam acabando com a minha paciência kkkkkk

Todo dia eu precisa “dar um jeito” naquela parte lisa. Para a minha infelicidade, ou não, a parte alisada do meu cabelo só cacheava com a texturização. Eram horas diárias dedicadas a um liso que eu já não queria mais, para que ele ficasse pelo menos ondulado. Eram horas diárias com uma meia calça amarrada na cabeça para conseguir um resultado que não era o real. Aquele não era o meu cabelo, nem a parte cacheada e nem a parte lisa.

Pois bem, fui cansando, cansando…Fui conversando comigo em voz alta enquanto me olhava no espelho. Fui trocando ideias com o meu companheiro, que diferente de mim, logo percebeu que a solução para tudo aquilo estava com uma ida ao cabeleireiro. Fui escrevendo sobre o desejo de fazer o Big Chop, aquele grande corte que, eu sabia, iria mudar a minha vida.

Então, se nos meus planos iniciais a ideia era cortar a parte lisa com um ano de Transição Capilar, em janeiro de 2018 e, se nos meus planos secundários, a proposta  já tinha mudado para setembro de 2017, no último dia 12 de agosto resolvi que este seria o mês.

Por qual motivo esperar mais? Por qual motivo escolher a data perfeita? Por qual motivo não aceitar que o tempo com as duas texturas já tinha encerrado para mim? Por qual motivo eu ainda queria sustentar uma situação insustentável?

Mesmo não tendo grandes apegos com o comprimento do cabelo, e muito menos temer mudanças no meu visual, me vi presa a lembranças da minha infância que me fizeram sentir um frio na barriga que eu tinha esquecido.

Quando eu tinha nove anos meu cabelo era no estilo “Joãozinho”, e foi uma das fases que a minha relação com ele foi mais complicada, e junto com isso, lembranças de momentos que não gosto nada de recordar.

Depois dessa constatação, mais uma vez, a Dani adulta olhou para a Dani criança e disse: “Isso é passado, e o que aconteceu naquela época não vai se repetir. Essa é a oportunidade que o seu cabelo precisa, essa é a oportunidade que vocês precisam. Lembre-se de tudo o que motivou você para voltar para o cabelo natural. Coragem você tem. Coragem você tem”.

E foi depois desse diálogo interno, que só a gente sabe o peso que tem, que no dia 18 de agosto de 2017, às 14h30, Deyse (uma cabeleireira com uma sensibilidade incrível), cortou a primeira mecha de cabelo. Sem fotos para inspiração, apenas conversando sobre o que era possível fazer, Deyse foi tirando mecha por mecha, e cada som da tesoura era um “adeus” para a Dani alisada, um “adeus” para aquela pequena Dani que se questionava sobre aquele cabelo diferente, e um grande “oi” para a nova Dani e para este cabelo desconhecido para mim.

Finalmente o corte estava pronto, e chorei. Chorei muito mais por dentro do que por fora, pois aquele foi um momento tão meu. Sepultei a raiva, o desgosto, a vergonha…

Deyse fez um corte que nada lembra o da minha infância, e ao me olhar no espelho estranhei e amei. “Ei, por onde andava esta garota?”, pensei enquanto passava a mão na minha nuca aparente e sentia o vento frio passando pelo me pescoço.

Saí do salão extremamente agradecida. Agradecida por ter convivido com pessoas que me apoiaram, agradecida por ter a possibilidade de viver isso tudo, e agradecida pela vida ter me dado motivos para impulsionarem esta decisão.

eu 7Queria desfilar pelas ruas mostrando esta nova mulher que acabou de nascer, mas me contentei tirando fotos e imaginando a carinha de surpresa de cada pessoa. Recebi muito apoio, recebi muito incentivo…e eu só posso dizer que passar pela Transição representa uma mudança muito maior do você consegue enxergar ao olhar para mim.

Sei que o processo ainda não acabou. Ainda estranho o meu reflexo no espelho. Já percebi olhares de reprovação, porém, nada está conseguindo diminuir a alegria de estar amando os meus cachos.

Antes de terminar este texto, preciso fazer uma correção: a minha Transição Capilar não terminou. O que acaba de encerrar foi a fase das duas texturas, mas agora começo a etapa de me encontrar com o cabelo natural. Se estou com medo? Muito, mas quem disse que isso não faz parte do processo? 😉

Eu 10

por, Dani Rabelo

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