Quanto vale o trabalho do outro?

Sei que esse tema seria perfeito para um texto do Balaio Pensante para o dia 1º de Maio, mas como não devemos brincar quando a vontade de escrever chega, é melhor fazer isso logo hoje.  😉

Não é de hoje que esse assunto (a valorização do trabalho alheio) me ronda. Seja como contratante ou contratada, e uma coisa posso dizer, é muito difícil você encontrar uma profissão que não sofra com tentativas de desvalorização do seu trabalho. Acho que vai mais da cabeça de quem está executando os papeis do que o serviço/produto que está sendo oferecido ou adquirido.

Do lado do contratado, quem nunca escutou frases do tipo: “Mas é pouca coisa”, “É rapidinho”, “Não precisa caprichar”, “E se eu te der o material?”, “Você vai comer sem pagar”, “E se eu te pegar em casa?”, “É uma forma de divulgação do seu trabalho”…

Quem nunca contou de dez até zero na tentativa de encontrar uma resposta educada, e que tente explicar para aquele ser, que você não é voluntário, que a empresa que fornece luz para a sua casa não colocou você na lista dos isentos, que para oferecer esse produto/serviço você precisou investir em capacitação e conhecimento…

Realmente, precificar um produto ou um serviço não é algo tão simples assim, e principalmente se no entorno dele existe uma áurea de que é algo super fácil de fazer. Então você pensa, se é algo fácil, por qual motivo a pessoa não faz? E sabe qual a resposta? É fácil na teoria, mas nem todo mundo possui habilidade, conhecimento, tempo, e outros itens essenciais para fazê-lo. Porém, para muitas pessoas, todas essas colocações são desconsideradas no momento da precificação.

Na prática é como se você só tivesse que cobrar pela gasolina que vai gastar e pelo material que vai usar. Coisas intangíveis são totalmente ignoradas e desvalorizadas, mesmo sabendo que são essas coisas que fazem com que aquele serviço/produto seja o que você quer. Deu para entender?

Se você se identificou com o que escrevi, acredite, que a coisa pode ainda ser pior. Piora quando o questionamento do valor é feito por alguém que também está no lado de cá, e daí coloco aquela história de que “se uma coisa é para me beneficiar, pode, se eu achar que vai me prejudicar, não pode” (vale ler esse outro texto: Saiba que o mundo gira, e gira mesmo).

Mas a coisa também possui outro lado. O prestador de serviço, o executor daquele produto, deve entender que é papel dele, e só dele, precificar de uma forma justa o que faz. É impressionante quantos profissionais prejudicam os seus colegas cobrando valores irreais (para menos) achando que estão fazendo um grande negócio.

Também é nossa função fazermos o consumidor entender que por trás daquele serviço/produto, do outro lado do balcão, do celular, do e-mail, da barraquinha na rua, do microfone…existe uma pessoa que precisa viver, e não sobreviver.

Antes de encerrar este post, vou deixar claro que não sou contra a pechincha, mas sou totalmente contra a desvalorização de um trabalho e da exploração dos valores cobrados. Não precisamos ser 8, muito menos 80.

Respeitar o trabalho alheio é respeitar o seu próprio trabalho, é ter o entendimento de que é errado tirar vantagem de alguém em cima do seu sacrifício, do seu suor, da sua inteligência e da sua necessidade.

por, Dani Rabelo

Anúncios

2 comentários em “Quanto vale o trabalho do outro?

  1. Amiga Dani, super concordo com sua opinião, é como se a habilidade, a criatividade (coisas intocáveis)não tivesse valor algum, guando na verdade são essas “coisas intocáveis ” que torna o produto ou serviço valorizado.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s