No limbo entre os 30 e os 40

E quando você já não tem mais trinta anos, mas também não sente que está chegando na casa dos quarenta 😮 Meu Deus!!! Na casa dos quarenta, eu????

Um dia desses fiz quinze anos. Uma festa intimista, em casa mesmo, mas com direito a troca de vestido quando bateram as doze badaladas da Cinderela, a valsa com papai e com o paquerinha. Sim, sou da época de paquerinha, que é o diminutivo de paquera.

Um dia desses fiz vinte, e a responsabilidade de não ser mais uma adolescente chegou como um tijolo jogado do décimo andar direto na minha cabeça. Não dava mais para ser imatura, mas também ainda não me sentia uma mulher, porém, sigamos…

Um dia fiz trinta, e trintei maravilhosamente bem. Não tive nenhuma crise (essa aconteceu quando completei 29, eu hein!), e me sentia bem com a minha cabeça, com o meu corpo, mas a inquietude que é de mim se tornava ainda mais latente.

Os anos foram passando, fiz 31, 32, 33… e chegou o dia que pulei a fronteira dos 35. Valei-me…EU       PULEI        A         FRONTEIRA         DOS         35 !!! E nem senti! Pode isso? Se pode não sei, mas essa é a verdade.

Olho no espelho procurando aquela senhora de quarenta anos que está para chegar já já, afinal, quando via o álbum de fotos da minha avó as mulheres de quarenta já aparentavam a maturidade e serenidade de quem viveu toooooooda uma vida. A questão é: Não vejo nenhum sinal da sua chegada. Está bem, a gravidade atua hoje com mais força, a  elasticidade e o metabolismo já não são mais os mesmos, mas ainda estou aqui, com a inquietude que me é peculiar, e em nada me pareço com as senhoras sérias que preenchiam as páginas do álbum da minha avó.

Me sinto em um limbo, nem lá nem cá. Nem jovem, nem senhora…apenas uma mulher. E na verdade não é um “apenas”, vamos e convenhamos. Quando entro em uma loja ainda me identifico com algumas peças do mostruário “meninas de vinte”, e espicho o olho quando passo na sessão “mulheres maduras”. Meu guarda roupa é digno de uma mulher com múltiplas personalidades, que vai desde os blazers sóbrios (confesso que ainda são poucos), passando pela moda casual, até chegar em uma pegada jovial com minhas saias e vestidos rodados.

Acho que vou me agarrar na frase que diz que os quarenta são os novos trinta, e colocar de vez na cabeça que em breve farei trinta novamente. Mas como será quando eu fizer cinqüenta, será que um novo limbo me espera?

Antes de finalizar, gostaria de fazer um adendo. Se você acha que estou desprezando os meus trinta e poucos, quase quarenta anos, enganou-se. Admiro e preservo cada momento que construiu a minha chegada até aqui, só não sei se sou apenas eu que não me encaixo no estereótipo das mulheres maduras que a sociedade nos coloca. Mas será mesmo que devo me encaixar?

Me sinto começando agora, com energia e gás, mas com uma sabedoria que eu não tinha aos quinze, nem aos vinte e nem aos trinta. Se troco tudo isso por alguns anos a menos? Nem pensar! Venha quarenta, que eu vou lhe usar. (entendedores, entenderão 🙂  )

por, Dani Rabelo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s